domingo, 1 de agosto de 2010
sábado, 20 de março de 2010
Depressão e Relacionamento

A Depressão geralmente é uma doença devastadora, apesar de muita gente ainda não acreditar que ela exista. Não vamos falar aqui do quadro clínico e dos sintomas da Depressão, mas sim de um aspecto da Depressão que muitas pessoas não sabem e não se dão conta; trata-se do grau em que os transtornos depressivos afetam os relacionamentos. Segundo Xavier Amador, um casamento em que um dos parceiros está com depressão, tem nove vezes mais propensão de acabar, do que um onde não exista a depressão. Adriana Tucci mostra também dados internacionais onde os Transtornos Afetivos, além de terem uma prevalência de, aproximadamente, 11,3% da população, são uma das doenças que mais geram perdas sociais e nos relacionamentos familiares (veja mais em Depressões - Sintomas, na seção Depressão).
Assim sendo, antes de se tomar decisões precipitadas nas desarmonias de relacionamento recomenda-se que, primeiro, seja verificada a possibilidade de uma das pessoas do relacionamento (quando não as duas) ser portadora de Depressão, em qualquer de suas formas (Distimia, Transtorno Afetivo Bipolar, Depressão Recorrente).
A Depressão, seja leve, moderada ou grave, será sempre incapacitante em algum grau, principalmente se considerarmos a duração dos sintomas. Ao longo do tempo os sintomas depressivos podem provocar desdobramentos complicados e desgastantes para a família e para a pessoa.
Segundo trabalhos recentes as relações íntimas entre pessoas com depressão são mais tensas, estressantes e cheias de conflitos do que entre pessoas não depressivas. Xavier diz que a depressão e os problemas de relacionamento e sexuais causados por ela seja a razão mais comum dos casais que procuram uma terapia. Metade das mulheres depressivas reclama de sérios problemas dentro do casamento e, provavelmente, um número parecido dos homens pode também reclamar da qualidade do relacionamento com mulheres depressivas.
Quando aparece um quadro depressivo na família, geralmente esta se desestrutura bastante. A tendência inicial é querer ajudar o indivíduo a reagir; ora acreditando que essa reação depende da vontade da pessoa deprimida, ora propondo medidas bem intencionadas e completamente ineficazes. Com freqüência dentro das famílias ou mesmo entre um casal existe uma série de crenças populares, que depreciam a pessoa com depressão, tais como a falta de vontade, uma fraqueza psíquica ou coisas assim.
Como ninguém consegue produzir melhoras, aflora um sentimento de frustração e impotência muito desgastante, principalmente quando se junta à mistura das tais crenças populares. Além disso, deve-se considerar o impacto social e econômico que a doença pode representar para toda a família.
É assim que os parentes de pessoas deprimidas, bem como os(as) companheiros(as) também sofrem de preocupação excessiva, raiva, exaustão e até mesmo raiva com a persistência daquele estado de humor problemático.
PAIS E FILHOS

| Às vezes é melhor a filha ficar em casa à noite, porque é melhor para o sono, bem-estar e tranqüilidade dos pais. | |
Talvez o problema mais grave dos pais seja, exatamente, fazer aquilo que acham melhor para seus filhos. Se ao menos os pais fizesse apenas o que é bom para os filhos, talvez o prejuízo não fosse tão grave quanto buscarem fazer o melhor para os eles.
O problema é que melhor na opinião dos pais, não significa necessariamente mais correto, adequado e sensato. A dúvida que surge nessa postura, é sobre o conceito do que seria, exatamente, esse melhor, e em que sentido; melhor para o bem estar do pai, do filho, da família, melhor emocionalmente, financeiramente, culturalmente, melhor para a saúde... e assim por diante.
Muitas vezes é melhor que a filha fique em casa à noite, porque é melhor para o sono, bem-estar e tranqüilidade dos pais. Pelas mesmas razões, é melhor que os filhos não bebam, não dirijam, não namorem quem eles querem, etc, etc.
O velho chavão “faço o que é melhor para vocês”, que brota das palavras de todo pai ou mãe que se preza, deveria ser corretamente interpretado como sendo; “faço para vocês o que é melhor para mim”.
O simples fato de presentear os filhos pode dar a falsa idéia de que isso é bom para eles, quando, na realidade, poderia estar satisfazendo a necessidade de bem-estar dos pais, ao se saberem “bonzinhos”, atenciosos, carinhosos, responsáveis.Vejamos a questão do beijo, por exemplo; muitas vezes o beijo apraz muito mais quem está beijando (pais) do que quem está sendo beijado (filhos), portanto, talvez quem beija com a intenção de doar afeição e carinho esteja, de fato, se apossando de afeição e carinho para si.
Um dos exemplos de que o melhor para os pais nem sempre se compatibiliza com o melhor para os filhos, é a tendência constante dos pais proibir nos filhos uma série de atitudes que eles mesmos tomavam em outras épocas, quando tinham a idade dos filhos.
Como regra geral, os pais tendem a aplaudir o comportamento “correto” dos filhos. De fato, muitas vezes estão se aplaudindo por se sentirem importantes como pais de uma criança inteligente, bem dotada, que auxiliam nas tarefas domésticas ou nos negócios. Sentem que sua função de pais, geneticamente perfeitos, educadores eficazes, moralmente atuantes foi satisfatória a ponto de merecer aplausos.