Sabemos que cada aluno é diferente de todos os outros. Nenhum aprende como os colegas. Mas, também sabemos que as turmas são numerosas e que a pressão para cumprir extensos programas num tempo limitado servido em pequenas fatias de cinquenta minutos, mal chega para o professor conhecer quem tem na frente. A escola habituou-se a debitar matéria e a avaliar, sem tempo para reformular planificações, esperar pelos de ritmo mais lento, parar para perceber o que acontece à enorme percentagem de alunos reprovados, nem para cativar a legião dos que abandonam o ensino, sem ferramentas para discutir a vida. Pontualmente, aparece um ou outro projecto com pernas para andar e que prova como a escola pode funcionar bem e ser atractiva quando se preocupa com as pessoas. Infelizmente, as instituições escolares supervisionadas e dirigidas por uma equipa de sábios autistas sedeados no Ministério da Educação, transformaram-se em gigantescas e implacáveis máquinas trituradoras de talentos. É o sistema, esse monstro acéfalo de mil tentáculos que tarda em reformar-se e reformular-se de modo a trabalhar para os jovens. Infelizmente, o sistema acomodou-se e tem colados milhares de parasitas que temem toda e qualquer inovação, sempre mais preocupados com o “tacho” do que em pôr as escolas a funcionar. Todos percebemos já que o insucesso e o abandono escolares são problemas complexos, com mil e um rostos. Mas, o sinal de que é possível sempre conseguir o sucesso é precisamente o trabalho desenvolvido por algumas equipas capazes de inovar no sentido de ir ao encontro dos interesses dos alunos. Trata-se de perceber como os alunos funcionam e como o ensino pode tornar-se agradável sem deixar de ser exigente. É um sinal de esperança que nos diz que é possível fugir à demolidora actuação do sistema e humanizar a máquina burocrática da 5 de Outubro. A escola não pode cruzar os braços e assobiar para o lado. A escola tem a obrigação de se preocupar em descobrir a razão que faz com que um aluno aprenda, enquanto o parceiro do lado acaba desmotivado. Às vezes, acontece até que os desmotivados de hoje tinham sido bons alunos no passado, com outro professor. Mas, se porventura, a escola não tem capacidade para resolver estas questões, os pais não podem simplesmente continuar a queixar-se dos professores e a denegrir a sua imagem junto dos filhos. Têm por obrigação, como primeiros interessados, de ser parceiros no estudo da situação, intervir com propostas de colaboração positiva, disponibilizar-se para ajudar nesta e noutras questões que afligem as instituições de ensino. Os pais têm o dever de se transformar em agentes activos na busca de soluções e largar o comodismo de responsabilizar quem, por vezes, é o menos culpado do insucesso dos filhos. Há hoje equipas multidisciplinares envolvendo psiquiatras, psicólogos e professores experientes capazes de ajudar os jovens a recuperar de fracassos que nos habituámos a aceitar como normais, como se fosse normal haver turmas com mais de 50% de insucesso. Essas equipas podem ensinar a aprender e aprender a aprender é a chave do futuro, quer para os alunos, quer para os professores. Está hoje a popularizar-se a recuperação de alunos e de professores por meio de um método usado na década de 70, desenvolvido por Antoine de la Garanderie – a gestão mental -, inspirado nas cinco operações mentais que estão na base da aprendizagem: a atenção, a memorização, a compreensão, a reflexão e a imaginação. Testes muito simples podem ajudar qualquer professor a perceber as estratégias que um jovem usa para aprender. Se descobrirmos como é que qualquer um aprende aquilo em que tem sucesso na sua vida extra-escolar, poderemos descobrir o caminho do prazer de aprender. Por vezes, um aluno tem dificuldade em reter a mensagem e utilizá-la em novas situações, simplesmente porque não conseguiu memorizá-la, nem entendê-la, por falha de vocabulário ou por uma estratégia errada. É fundamental que os alunos conheçam o seu funcionamento mental. Nunca um auditivo funcionará como um visual, para citar apenas os dois casos mais evidentes. A cada um, sua estratégia.